sábado, 27 de setembro de 2014

Capítulo 1

O início de tudo...


Mary's POV

Suzanna era o tipo de pessoa que sempre está ao seu lado quando precisa e que sempre te incentiva a viver seus sonhos, às vezes até compartilha deles, por isso tinha orgulho de chamá-la de melhor amiga. Ela não era a única que merecia essa denominação, pois ainda tinham os meninos, mas era a única que passou toda a infância me suportando. Falando em suportar, nosso dia seria cheio, pois teríamos de nos mudar para outro país por causa da universidade. Não que no nosso país não existissem bons sistemas de ensino superior, mas como já foi dito, eu e Suzy compartilhávamos esse desejo.

Sem dúvida eu estava ansiosa, mas ainda assim consegui dormir, já Suzy, para variar, ficou passeando pela casa e arrumando o travesseiro de cinco em cinco minutos.

Conclusão: A missão impossível de acordá-la seria de minha responsabilidade.

O despertador barulhento do celular tocou, resmunguei um pouco, mas mesmo assim levantei. Tive tempo de arrumar minhas malas, achar uns casacos que estavam super escondidos dentro do armário e até fiz a proeza de derrubar meu sapato no chão sem querer.

Nada da Suzanna acordar, como já era esperado. Respirei fundo tentando manter a calma e andei até a sua cama, sentindo uma pontinha de inveja boa, como dizem por aí, do jeito fofo que ela dormia.

- Suzanna... Suzy acorda! - toquei seu braço e a balancei, numa tentativa delicada, digamos.

- Não acredito! Eu juro que coloquei o despertador, como isso pode acontecer?

Ela abriu os olhos bem devagar, olhou para o relógio e reagiu assustada.

- Você não tem jeito mesmo né? - disse ironicamente prendendo o riso - Nem no dia em que você vai morar perto do seu namorado você acorda, eita! - esqueci de citar esse fato irrelevante, Suzanna namorava Joseph, o único insuportável dos irmãos Jonas, a ovelha negra eu diria.

- Tem razão - ela riu, sentando-se na cama - Eu fiquei até tarde fazendo as malas, talvez seja por isso que acordei atrasada - levantou-se repentinamente, obrigando-me a ceder o mínimo de espaço - Vou tomar um banho correndo. Será que dá tempo? - Suzy apressou, finalmente.

- Corre né! - exclamei enquanto ria do modo como ela quase derrubou a toalha das mãos

- Nick disse que é para gente ir direto para a casa dele - alertei.

- Opa! - modo Suzanna de confirmar - Joe vai estar lá, né? - tinha que perguntar, sempre.

- Ele não perderia a oportunidade de me irritar - falei em baixo tom, para que ela não reclamar, mas era notável o tédio em minha voz. Foi impossível não lembrar a última, cara patético! Balancei a cabeça levemente e fechei os olhos querendo desviar o pensamento. Logo recordei o motivo da minha espera, "vamos tartaruga, vamos".

- ANDA SUZANNA - exaltei-me com ela por um instante enquanto jogava as roupas em sua direção. Ao perceber meu ato, sorri torto para ela, um pouco envergonhada - Desculpa...

- Tudo bem, MAS NÃO GRITA COMIGO DE NOVO - ela devolveu a atitude enquanto se vestia.

- Se fosse com o Nick eu apanharia, ele odeia quando faço isso... - não pude evitar um meio sorriso, mas que problema tem nisso? Eu sentia falta de meu amigo, só isso. Mas Suzy sempre insinuava algo, era só contar até três e lá vinha.

- Amiga você já pensou em esquentar a relação com Nick?

- Como assim? - neguei com a cabeça franzindo a testa - Não! Credo!

- Sei, sei... - Suzy me encarou com desconfiança enquanto passava delineador.

- Quieta, agora. - apontei o indicador a ela - e não venha dizer que eu gaguejei porque gosto dele, isso é mentira. Eu só gaguejei por ser uma suposição absurda! - não pude encará-la, essa história de namorar o Nicholas era tão desconfortável que eu nunca sabia o que responder - Quer dizer, o Nick é lindo - honestidade apenas - mas ele está apaixonado...

- É eu sei, ele está apaixonado por você - ela ainda insistia, num tom quase inaudível, se divertindo às minhas custas, estava aprendendo com o namorado, certeza. Ela achou tanta graça que quase borrou o batom que passava nos lábios em frente ao espelho.

- Estou te ouvindo, vê se para com isso - tive que rir do meu próprio nervosismo - Nick é como um irmão para mim, nada mais... - expliquei e sem suportar mais uma risada dela, tapei sua boca antes que continuasse a falar - Vamos logo. - sem olhá-la, saí do quarto com minha mala e a jaqueta pendurada no braço.

As reações de Suzy eram cronometradas em meu pensamento, eu praticamente gesticulei a frase dela enquanto verificava se estava esquecendo algo. Notei os passaportes em cima da mesa e agilizei para guardá-los na bolsa. Antes que eu esqueça, a frase de minha amiga foi:

- Valeu hein, borrou meu batom. Agora tenho que tirar tudo isso e passar de novo.

- Ok Barbie Califórnia, você não ganhou a discussão dessa vez, mas se quiser eu compro um batom novo - notei que ela estava finalmente ao meu lado, então segui ao elevador.

- Não me chama de Barbie, sabe que eu odeio isso, eu não sou superficial assim, só quero ficar bonita e não precisa comprar um batom novo, só não estraga o meu momento!

- Você não consegue disfarçar que está nervosa - gargalhei ao perceber seus olhos saltados e a quantidade de vezes que arrumava o cabelo - Há quanto tempo não vemos os meninos?

- Não sei... Realmente há muito tempo. Quero matar toda essa saudade que eu tenho do Joe... E sim, estou muito nervosa! - ela confessou encostando na parede do elevador.

Soltei o ar dos meus pulmões ao ouvir outra vez coisas melosas sobre Joseph, eu me sentia incomodada, mas ela não percebia isso, nem eu sabia o porquê.
O silêncio era fatal dentro do elevador até que ouvi o aviso do meu celular, era Nick. 
Ele tinha mandou uma mensagem:

"Bom dia!
Sinto informar, mas Kevin marcou reunião bem agora,
então, não sei posso buscar vocês, mas vou mandar um motorista.
Ah, antes que eu esqueça e morra duplamente depois,
Joe manda beijos, 'especialmente pra Suzy'. ¬¬
Sinto sua falta Marie, não vejo a hora de te abraçar!
Boa viagem"

- O que diz aí? - a senhorita impaciente perguntou tentando ler.

- Ah... Parece que vamos de primeira classe... - respondi simplesmente.

- Como assim não entendi, me dá esse celular deixa eu ler direito - ela puxou o aparelho de minha mão e me deixou sem reação - awn Joe lindo - comentou e me olhou de lado
- Marie, hum... - imitando sotaque francês ela repetiu o apelido, deixando-me envergonhada.

- Suzanna! - adverti mais uma vez e revirei os olhos - Vamos, faltam dez minutos para o voo!

- Então vamos! - empurrou-me para fora, quase derrubando.

- Ei, a culpa não é minha você sabe muito bem - espremi os olhos ao encará-la.

- Cala a boca, Mary. Meu banho era necessário, agora entra no táxi. - ela revidou.

- Ah coitadinha, - debochei enquanto entrava - ela não pode acordar cedo!

- Calada - ela me olhou com raiva e eu fiz sinal de continência, arregalando os olhos.

No aeroporto tudo ocorreu com muita rapidez, nosso check-in já havia sido feito pela Internet, nossas bagagens foram despachadas e a abertura dos portão que dava a entrada do avião, por sorte não atrasou. Talvez por essa pressa, Suzy não falou muito, apenas ouviu música em seu fone de ouvido a viagem toda, e olha que foi longa. Poderia estar chateada comigo pelas tantas atitudes mau-educadas que tive desde o começo da manhã, mas ela também tinha que entender que eu estava nervosa. Não liguei muito para isso, pois assim que ela visse o namorado esqueceria de tudo, inclusive das minhas broncas.

- Finalmente! - exclamou ela quando o comandante anunciou a chegada.

Do lado de fora do aeroporto, havia um homem de terno preto segurando uma plaquinha com nossos nomes, sorrimos as duas ao mesmo tempo e acenamos para o pobre coitado que deveria estar lá esperando a horas. Pobre mesmo ele não era, afinal ganhava salário para usar ótimas roupas e dirigir uma limousine. Pode parecer cliché ou brega para alguns, mas isso era coisa do Nicholas, fazer o quê. Na verdade aposto que ele foi na onda do romântico irmão mais velho, Paul Kevin.

Suzanna tinha um sorriso lindo estampado no rosto assim que entrou no veículo, tocou até as minhas mãos, causando um grande estalo. Não disse que eu não precisaria fazer nada para que ela melhorasse? Eu sou um gênio. Ok, talvez não, mas quando se trata de Suzy, sim.

Ao fitar o couro do banco, notei ao meu lada uma caixa bege que parecia uma embalagem de chocolate caro, apanhei o objeto e encontrei um bilhete, onde estava escrito:

Surpresa de boas vidas – Nick.

Estranhei a letra, mas ignorei tal fato, pensando que ao passar dos anos a letra de Nick havia mudado. Lentamente abri a tampa, algo me dizia que eu não devia mexer.

Dito e feito: Um bicho de pelúcia com penas pretas surgiu de dentro, enchendo minha roupa e minha boca de fiapos, obviamente não era um presente de Nicholas, era uma provocação.

- EU TE MATO JOSEPH - gritei, assustando o motorista lá na frente que até errou na curva por causa da minha voz aguda. Suzy não pôde deixar de rir e me dar um soco leve no braço.

- Joe já começou a aprontar contigo, que saudade!

- Saudade? - eu a encarei com raiva, meu rosto queimava. - Você só pode estar brincando, eu jamais sentiria falta desse - procurei a palavra certa - ser das trevas, que nojo - cuspi as penas que insistiam em grudar em meus lábios.

- Sem exageros, Mary. - ela comentou - olha, tem uma para mim também...
"Com amor, para Suzy" - leu em voz alta e então abriu a caixa, encontrando uma carta.
Para piorar o meu humor, ela resolver ler tudo em voz alta.

"Meu amor,
seja bem vinda, mal posso esperar para matar a saudade que sinto de você,
quero fazer tudo que a distância não permitiu, inclusive te encher de beijos.
Te amo, minha linda!
- Joe"


- Que perfeito, ainda nem acredito que estamos aqui! Preciso vê-lo o mais rápido possível!

- Segura isso! - entreguei a caixa para Suzy, que estava em transe e nem viu que o carro parou, saí andando. Toquei a campainha e deixei que ela se responsabilizasse pelas malas junto com o motorista.

A porta foi aberta, eu poderia ser recepcionada por qualquer um, menos ele.

- Credo! - espantei-me.

- É assim que você cumprimenta os amigos, Mary? - Joe ergueu uma das sobrancelhas.

- Você sim, vê se me erra.

Suzanna olhou para ele e em questão de segundos parecia uma criança chorando, além de derrubar tudo o que tinha na mão para prender as pernas em sua cintura durante o abraço;

- QUE SAUDADE - Joe gritou no meu ouvido assim que a soltou após o beijo melado.

- Sim, meu amor, muitas, muita muitas saudades... Já não aguentava mais! - Suzy respondeu.

Ew - gesticulei franzindo a testa ao vê-los ali e talvez por notar a minha expressão, Joe me abraçou, de um jeito sufocante contra a minha vontade e, sinceramente, eu odiava tudo nele, menos o seu perfume. Por mim, ele cheiraria a esgoto, a lixo, qualquer coisa ruim que fosse, mas não, tinha que ter aquele cheiro maravilhoso, nem forte o maldito perfume era.

- Solta. - tentei me desprender.

- Tem medo de mim, não é? - ele riu após me soltar.

Nem respondi porque não tinha medo e sim raiva, mas antes que eu pudesse dizer isso,
Nick apareceu me apertando num abraço aconchegante e silencioso.

- Estava com saudades de você - disse num sussurro, ainda me recuperando daquele cheiro.

- O que foi? - perguntou ele ao se afastar, percebendo a minha palidez.

- Não foi nada, é só cansaço de viagem... e saudades suas! - exclamei sorrindo, eu tentava, mas sempre tinha que me explicar, ou inventar uma explicação convincente. Mas foi aí que Suzy apareceu para me salvar, de mãos dadas com o cretino do perfume, claro.

- Oi Nicholas, que saudade - sorriu delicadamente.

- Também estou com saudades, cunhadinha. - Nick disse ao separar nosso abraço.

- Continua o mesmo homem sensível e carinhoso como sempre foi, né? - ela beijou seu rosto.

- Eu tento - ele riu e esfregou a nuca com a mão esquerda. Alguém estava nervoso...

- Então Nick, - chamei atenção, tentando ajudá-lo - acho que temos que conversar! - lembrei- me do que ele disse semanas atrás por telefone, sobre um aniversário surpresa de Suzanna.

- Hum, o que vocês precisam conversar hein? - a maliciosa digo, Suzy, perguntou.

- Nada demais - Nick acenou para o irmão discretamente.


- Já devo imaginar o que é - Joseph respondeu

- Você também? - ela não gostou muito, óbvio - agora estão todos escondendo coisas de mim, Ok! - Suzy fez bico, encostou nos lábios do namorado e caminhou até o quarto para desfazer as malas, contra a sua vontade e ligeiramente chateada.

- Vá atrás dela - disse pra Joe - você estraga tudo, mesmo!


- Fiz besteira, não foi? - reclamou.

- O que você acha? - Nick debochou.

Então ele correu atrás dela, parei uns minutos para adivinhar a cena previsível dos dois: ele parado bem em frente à porta, pensando no que dizer e resolve fazer cara de cachorro sem dono antes de implorar perdão, mais ou menos assim:

- Su, por favor... Amor abre a porta, por favor, me desculpa, mas eu realmente não posso contar. - com uma pitada de mistério - Em breve você saberá, minha linda, abre a porta.

- Quero ficar sozinha, valeu, se você não quer ficar comigo eu tenho coisas para arrumar - ela se faz de difícil e coitadinha ao mesmo tempo, e então ele não desiste:

- Não! Não valeu! Olha, por favor, abre essa porta, eu quero sim você, muito. - aí ela conta alguns segundos para abrir a porta e ele faz pose de carente, para então beijá-la e convencê-la de que não tem nada errado, além de ganhar tempo para encontrar um motivo para sair do quarto e terminar o assunto na sala, sem deixar é claro de usar um termo infantil para que ela se derreta de amores. Como:

- Pode nanar, minha linda. Eu vou lá para baixo ver se tem algo para comer, qualquer coisa me chama que eu venho correndo! - ele ganha um sorriso e deixa o quarto.

- Mary, alô... - Nick passou a palma da mão perto dos meu olhos para que eu acordasse.

- Oi, desculpa - fiquei sem graça e sorri para ele.

- Onde você está hein? - ele riu e não esperou resposta - Quer doce?

- Doce amo doce! - exclamei.

- Toma - ele estendeu uma bala de caramelo que tinha no bolso e eu abri, devorando-a.

- Só assim para você acordar não é? - o riso foi em uníssono.

Um vulto passou por meus olhos e eu sabia quem estava vindo, então tratei de abraçar
Nicholas com força para que o cheiro distinto de seu perfume me embriagasse. Joe caminhou até a geladeira e pegou ingredientes para preparar um sanduíche, olhando para o lado e disparando um comentário desnecessário, como todos os outros:

- Mas vocês são chiclete hein, que isso. - sem pensar duas vezes mostrei o dedo do meio.

Ele não reagiu como eu esperava, apenas riu olhando para o chão e começou a mastigar o lanche, Suzy veio com rapidez até nós, aposto que nem estava dormindo, só fazendo graça, pois se estivesse mesmo cansada como eu imaginei, não ia propôr algo como:

- Vamos fazer alguma coisa, ir ao cinema, museu, parque de diversões, shopping...

O que vocês sugerem? - sorriu para Joe e piscou para mim.

Parque de diversão, aquele lugar me dava arrepios, estava cruzando os dedos para ninguém dizer nada, quando olhei para a cara sarcástica de Joe entendi que estava perdida.

*POV: Point of view // Ponto de vista
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